Chapada dos Veadeiros – em novembro de 2015

Cachoeira Santa Bárbara

Cachoeira Santa Bárbara

UM POUCO DA HISTÓRIA DO LUGAR

A Chapada dos Veadeiros é a região de cerrado de altitude do estado brasileiro de Goiás. Abrangendo vários municípios, dentre eles, São João d’Aliança, Alto Paraíso de Goiás, Colinas do Sul, Teresina de Goiás e Cavalcante, sua altitude ultrapassa 1600m. Tem esse nome devido aos caçadores de veado-campeiro. Em meados do século XVIII começaram a chegar os primeiros bandeirantes, levando consigo escravos negros, que logo fugiam para os vãos entre as montanhas, onde constituíam comunidades que até hoje vivem isoladas (kalungas), ao norte do município de Cavalcante. A primeira grande jazida de cristal-de-rocha da Chapada foi descoberta em 1912 e assim começou o povoamento de São Jorge, em função da tentativa de exploração desse mineral. Na década de 70 começaram a chegar novos tipos de habitantes às cidades da região: pessoas que deixaram a rotina estressante dos grandes centros urbanos em busca de uma vida melhor no campo.

Em 1980 dois fatos específicos, de origens diversas, porém complementares, tornam-se um marco decisivo para a realidade atual: eram os projetos Alto Paraíso e Rumo ao Sol. O primeiro projeto, de cunho governamental buscava instalar diversos equipamentos urbanos, tais como: hotel, aeroporto, asfalto, etc, visando criar, a partir do turismo e da produção de frutas nobres, um pólo regional de desenvolvimento do nordeste goiano. Já o “Rumo ao Sol” tinha como objetivo a instalação e desenvolvimento na área de comunidades alternativas, baseando-se em conceitos do naturalismo e do misticismo. O projeto, que era como um movimento hippye, atraiu a primeira grande leva de migrantes para a região. A partir daí, e com a implementação do Ecoturismo, a Chapada dos Veadeiros e as comunidades com ela relacionadas vem experimentando diversas transformações políticas, sociais e econômicas. A Chapada dos Veadeiros abriga o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, criado em 1961 e localizado no nordeste do Estado de Goiás, entre os municípios de Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante e Colinas do Sul. (Fonte: Travessia Ecoturismo; ICMBio; Wikipédia)

DIA 1

Saímos cedo de Brasília e cerca de 2h30 depois já estávamos em Alto Paraíso.

Caminho para São Jorge

Caminho para São Jorge

Fomos direto para a cachoeira de Loquinhas. Para chegar em Loquinhas basta seguir as placas da rua principal da cidade. Por uma curta distância de estrada de terra você chega lá tranquilamente. Tem um estacionamento logo na chegada. O valor da entrada é R$ 20 por pessoa, mas conseguimos negociar esse preço. São, basicamente, 2 trilhas com diversos poços em cada uma. É uma caminhada muito tranquila, nem precisa de tênis, e pode ser um passeio de ½ dia e ideal para fazer com crianças, até de colo. A trilha é em passarela de madeira e margeia o rio, que forma vários pequenos poços.

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Nesse dia estava meio nublado e saímos de lá assim que a chuva deu sinal de vida. (IMPORTANTE: mesmo que não esteja chovendo exatamente no local que você estiver pode ocorrer tromba d’água – ou melhor, cabeça d’agua. O fenômeno é um grande volume de água que segue pelo leito dos rios, em forma de enxurrada, aumentando rápida e repentinamente o nível de um rio.)

Confesso que demoramos um tempinho pra entrar na água devido à falta de sol e à água ser beeeeem gelada! Rsrs Infelizmente, não vimos as águas transparentes e cores de esmeralda que fazem a fama do local mas imaginamos que num dia com sol seja beeeeem bonito! Mas valeu o passeio.

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Saímos de lá e procuramos um local pra almoçarmos, umas 13hrs. Nos chamou atenção diversos locais estarem fechados: lanchonetes, restaurantes, etc. Depois entendemos oporque… É que a cidade começa a se movimentar quando as pessoas retornam dos passeios, e isso começa a partir de 15hrs. Maaaas, tivemos uma baita sorte e fomos parar no Zu’s Bistro (que depois descobrimos ser no 1 – ou 2, toda hora oscila rsrs – do TripAdvisor). O local fica numa rua perpendicular à rua principal de Alto Paraíso e nada mais é que a varanda da casa da proprietária com algumas cadeiras e mesas. Um lugar mega simples mas com uma energia muito boa, uma ótima conversa com a dona Sra Vera (mais conhecida como Zu), e uns risotos de-li-ci-o-sos! O cardápio é restrito a, basicamente, massas e risotos. Porém, com sabores muito interessantes, como o de figos turcos com gorgonzola que estava incrível! Ah! Tem opção para vegetariano. Como o dia tava meio chuvoso e o tempo tava fechado, decidimos ir para o hotel relaxar e tomar um espumantezinho antes do jantar.

No caminho de Alto Paraíso para São Jorge paramos no mirante para contemplar o Jardim de Maytreia. É uma paradinha rápida mas… Um momento de contemplação. É um local lindo!

Jardim de Maytreia

Jardim de Maytreia

Ficamos hospedados em São Jorge na Pousada Bambu Brasil. Uma pousada bem gostosinha e aconchegante.

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Descanso antes do jantar…

Jantamos na pizzaria Papa Lua. Lá a massa é feita de batata. Uma delícia!

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DIA 2

Após um café da manhã bem reforçado saímos para o tão aguardado destino: Cachoeira Santa Bárbara. Mesmo com risco de chuva dirigimos até Cavalcante e (ufaaaaaaaaa!!) deu tudo certo. A viagem até a cidade é de 1h30 (se tiver hospedado em Alto Paraíso é meia-hora a menos). Você vai chegar na cidade pela Avenida Sílvio Ferreira e entrar na primeira rua à direita: Rua Um e seguir para a GO-241. Se estiver de GPS é só programar Comunidade Kalunga. A estrada é de chão e não é boa e parece infinita. Chegando na comunidade você contrata um guia, que é da própria comunidade, por R$ 70 e paga R$ 20 por cada pessoa no carro. Passamos numa casa/restaurante para encomendar nosso almoço (R$ 25 cada) e depois seguimos o caminho. Conseguimos ir somente até um trecho pois nosso carro era um pouco baixo para passar numa “poça” d’água bem fundinha que se formou no caminho. Deixamos nosso carro e pegamos uma “carona” (R$ 6 por pessoa, o trecho – beeeem carinha essa cachoeira né? Mas valerá à pena!) até o início da trilha à pé. Você pode começar a trilha antes, caso não pegue a carona, mas estava bem quente e o sol tava de rachar, já era meio-dia, então optamos pela “carona”.Falando de horário… A cachoeira está cercada de vegetação, tanto a “filha” quanto a “mãe”, e o melhor horário pra ver suas águas cristalinas é entre 11h e 14. Nesses horários ela recebe luz direta do sol e fica na sua famosa cor azul turquesa. (LINDA! LINDA!)

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Decidimos ficar nosso tempo todo ali, desfrutando tanto da Santa Bárbara “filha” (a menorzinha) quando da Santa Bárbara “mãe”. Daí não conhecemos a cachoeira Capivara, que também fica na comunidade.

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Santa Bárbara “filha”

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Santa Bárbara “mãe”

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Depois de curtir o visual e banhar nas águas meeeeeega geladas das estonteantes cachoeiras, foram umas 3 horas de diversão, chamamos nosso guia e fomos para o esperado almoço, já era quase 16hrs quando fomos comer! A comida era simples e tava deliciosa! Chegamos bem no final da tarde na nossa pousada, em São Jorge. Então, esse passeio para Santa Bárbara é de um dia inteiro e pode ser melhor aproveitado, não tão cansativo, se você tiver dormido a noite anterior em Cavalcante, mesmo que no final do dia vá para Alto Paraíso ou São Jorge, para passar o resto da viagem. Quanto a ir com crianças para a cachu… Vimos várias. Inclusive criança de colo! Então dá pra ir a família toda.

Neste dia fomos jantar na risoteria Santo Cerrado, em São Jorge. Confesso que foi um pouco complicado encontrar o local mas chegamos lá! Rsrs O local é uma gracinha e pegamos uma mesa sob as estrelas, bem bonito.

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Mesa sob as estrelas – Santo Cerrado

Infelizmente, neste dia eles estavam com um quadro reduzido e o atendimento não foi muito bom… Acabamos gostando mais do ambiente e da vista que da comida. Mas é possível que numa próxima visita à cidade a gente dê uma outra chance ao lugar, não deve ser por acaso que eles são o no 1 do TripAdvisor.

DIA 3

O dia amanheceu bem bonito e programamos de irmos de manhã ao Vale da Lua, já que é tão pertinho de São Jorge, e à tarde ou nas Cataratas dos Couros ou na Cachoeira Anjos e Arcanjos. Mas… Não foi bem isso que aconteceu! Rsrs O tempo lá, pelo menos nessa época, muda, e muito rápido!

Possivelmente uma das atrações mais conhecida no Veadeiros é o Vale da Lua. O rio São Miguel percorre as pedras de granito há mais de 600 milhões de anos e acaba esculpindo elas. O resultado é esse: crateras que lembram a da lua! (O preço é R$ 20 por pessoa e tem uma pequena caminhada até chegar nas pedras.)

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Tiramos algumas fotos (ou várias! Deu pra perceber rsrs) e depois de nos refrescarmos um pouco numa das piscinas naturais o tempo fechou. Tudo nublado. Daí o mundo desabou em água.

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Piscina no Vale da Lua

Ficamos mais de 1 hora debaixo de uma pedra esperando a chuva diminuir, e protegendo os equipamentos fotográficos. Quando a chuva virou chuvisco resolvemos ir embora. Foi aí que o chuvisco parou, olhamos para o céu e ele tava bem limpo, pelo menos na parte em cima do Vale. Obviamente, tiramos mais fotos e curtimos um pouco mais o local antes do chuvisco recomeçar.

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Foi o tempo certinho de chegarmos no carro e a tempestade desabou, novamente. Hora de almoçar, então. Em Alto Paraíso o tempo só estava nublado, sem chuva. Acabamos almoçando, novamente, no Zu’s Bistrô (será que a gente gostou? Rsrs). Devido ao tempo chuvoso e a distância descartamos ir nas Cataratas dos Couros e tentamos ir na Anjos e Arcanjos. Ir pra essa cachu não é uma tarefa simples. Não há muita sinalização quanto a de Loquinhas. A estrada é de terra e no meio do caminho você acaba passando dentro de uma cidade, e lá as placas não te ajudam muito… Depois de nos perdermos um pouco e de um pouco de rally chegamos lá! Mas… A chuva chegou junto! Kkkk Ficou pra próxima, então.

Decidimos voltar pro hotel e encerramos a noite numa das poucas opções de restaurantes abertos em São Jorge na segunda-feira: Lua de São Jorge. Uma pizza no forno a lenha bem gostosa!

Essa foi nossa 1ª experiência na Chapada dos Veadeiros. Com certeza, mudaríamos muita coisa nesse roteiro. Como, por exemplo, a hospedagem. A pousada que ficamos é uma graça, mas os passeios que escolhemos indicavam uma localização de pit-stop em Alto Paraíso. Depois dos erros, e vários acertos, seguem algumas…

DICAS:

1 – Tente escolher os passeios antes de ir, daí poderá economizar tempo (e gasolina $$) nos deslocamentos. Ex.: caso seus passeios se concentrem no Parque Nacional da Chapada, São Jorge seria o local mais apropriado para se hospedar;

2 – Caso vá para a cachoeira de Santa Bárbara vale a pena considerar dormir em Cavalcante na noite anterior ao passeio;

3 – Levem repelente. Obs.: a prefeitura de Alto Paraíso orienta tomar a vacina da Febre Amarela com no mínimo 10 (dez) dias de antecedência da viagem;

4 – Levem lanches e água/suco/isotônico;

5 – Seus almoços serão em torno de 15 ou 16 horas; e,

6 – Se puder, abasteça em outro local que não Alto Paraíso. O valor era absurdamente mais alto que os outros postos da região (e até de Brasília!), talvez por ser o único posto da cidade. Na volta pra Brasília abastecemos em São João da Aliança, R$ 0,16 centavos a menos que Alto Paraíso.

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